Com a Quarta-feira de Cinzas iniciamos a nossa caminhada
rumo à Pascoa, acontecimento central de nossa fé e da Igreja católica.
Iniciamos essa caminhada com a imposição das cinzas, símbolo de conversão e
renovação de nossa vida. A Páscoa de Jesus é, por excelência, a festa do
cristão, por isso merece ser preparada com antecedência e com esmero. Toda
nossa vida cristã converge para o grande acontecimento pascal.
Três elementos da vida do cristão, presentes no evangelho
da liturgia de hoje, ajudam a trilhar o caminho quaresmal: caridade, oração e
jejum. Essas práticas cristãs, porém, não devem ser realizadas com o intuito de autopromoção. De fato, Jesus
chama a atenção para a hipocrisia que pode estar escondida por trás dessas
práticas. Os atos religiosos serão feitos para honrar a Deus e auxiliar o
próximo, e não para melhorar a própria imagem.
De nada adianta
ajudar os outros se, com isso, buscamos elogios. Compromisso com os pobres
é decisão séria, não é exibicionismo. De nada adianta rezar se, com essa atitude, visamos ser reconhecidos como pessoas
piedosas – oração não é espetáculo. De nada adianta jejuar se, com o jejum queremos nos exibir – jejum é denúncia
profética da injustiça que nasce do egoísmo. Nosso problema é que temos forte
inclinação para a vaidade, o orgulho e o egoísmo. Assim, anulamos nossas
tentativas de ter méritos diante de Deus, que é gratuidade plena.
Com a Quarta-feira de Cinzas, a Igreja, no Brasil, inicia
também a Campanha da Fraternidade (CF). É a proposta da Igreja que nos convida
a rever alguns aspectos da vida pessoal e social. Neste ano a atenção está
voltada para a juventude, com o tema: “Fraternidade e juventude” e o lema:
“Eis-me aqui, envia-me”. A CF é uma proposta evangelizadora da Igreja católica
desenvolvida na Quaresma em preparação para a Páscoa. Tem a missão de despertar
o espírito comunitário e cristão, educar para a vida em fraternidade e renovar
a consciência da responsabilidade social.
(Pe. Nilo Luza, ssp.) In O DOMINGO - SEMANÁRIO LITÚRGICO-CATEQUÉTICO - 13/02/2013.
A PALAVRA FAZ VENCER AS TENTAÇÕES
Os quarenta dias de Jesus no
deserto fazem lembrar os quarenta anos de caminhada do povo hebreu rumo à Terra
Prometida. Tempo de provação, de superação das tentações, ainda que as
tentações na vida de Jesus não tenham aparecido apenas nesses quarenta dias. O
Evangelho de Lucas, de fato, diz que o diabo se afastou de Jesus para retomar
no momento oportuno, na hora da decisão de entregar a vida na cruz, em
Jerusalém.
Jesus venceu a tentação de ter comida e vida
fáceis, recusando-se a transformar pedra em pão. Venceu a tentação de ter poder
e prestígio, negando-se a se submeter ao que é satânico, ou seja, contrário ao
projeto de Deus. Venceu a tentação de tentar o próprio Deus, recusando ações e
atitudes que distorceriam a palavra de vida.
Obedecendo à palavra, Jesus vai
vencendo as tentações e continuando a missão que o Pai lhe havia confiado. E a
palavra que iluminou a vida de Jesus ilumina também a nossa. É a palavra que
nos alimenta e nos torna comprometidos com a missão de Jesus, para trabalharmos
pelo pão para todos. É a palavra que nos recorda que somente a Deus devemos
adorar, relativizando todas as outras coisas. É a palavra que dá sentido à
nossa existência, quando servimos a Deus servindo os menores de nossos irmãos,
tal como fez Jesus.
Iniciando a Quaresma, somos que convidados a ir com Jesus
ao deserto, fazer silêncio dentro de nós mesmos, ouvir sua palavra e deixar que
aí ela ecoe, para superarmos a tentação de aceitar o que é contrário aos
valores que o Mestre nos ensinou. Assim a Quaresma se tornará de fato, tempo de
preparação para a Páscoa, tempo de provação da nossa fé e do nosso compromisso
com Jesus. O mesmo Espírito que guiou Jesus continua nos guiando. Obedientes à
palavra de Deus, confiamos que o Mestre está conosco, ajudando-nos a superar as
tentações do dia a dia. (Pe. Paulo Bazaglia, ssp.) In O DOMINGO – SEMANÁRIO LITÚRGICO-CATEQUÉTICO – 17/02/2013.
ROSTOS
TRANSFIGURADOS
Jesus se transfigura diante dos
discípulos que o acompanham no monte, aonde se dirigiram para rezar, em contato
mais profundo com o Pai. É aí que se completa e se plenifica a aliança de Deus
com a humanidade, iniciada com Abraão. Cristo, transfigurado diante dos três
discípulos, será dentro em pouco o Cristo “desfigurado” da paixão. Sua glória,
revelada na transfiguração, passará, portanto, pelo sofrimento e pela
humilhação.
Na cena do evangelho de hoje,
Jesus se entretém nua conversa com Moisés e Elias (representantes do Antigo
Testamento: leis e profetas) sobre sua partida próxima, ou seja, sobre seu
êxodo definitivo para a casa do Pai.
O rosto de Jesus, em oração ao
Pai, muda de aspecto. É exemplo de oração que transforma não apenas a pessoa,
mas também os outros e a própria realidade. Todo encontro autêntico e sincero
com Deus deixa marcas em cada rosto orante.
Os três discípulos dominados,
dominados pelo sono, acabam dormindo. Quando o mestre está ameaçado ou quando
pede compromisso com seu projeto, eles não entendem – ou não querem entender –
e se entregam ao sono. É muito mais fácil sonhar com aplausos e triunfos do que
se comprometer com a realidade exigente da missão. Os problemas do dia a dia e
o compromisso com o mestre podem nos assustar e nos fazer desanimar.
Pedro só tem olhos para a glória
deslumbrante: É bom estarmos aqui. Ele quer permanecer na ilusão sem passar
pela paixão e morte, mas a glória só acontece após o êxodo. Pretende acampar no
ponto de chegada, sem passar pelo caminho penoso que conduz até aí.
Antes desse passo definitivo, há
a necessidade de descer da montanha. O apóstolo transfigurado deve enfrentar o
compromisso com o povo, e a sua realidade nem sempre é tão brilhante como nas
alturas. Na montanha, e contato com Deus, rezamos, escutando a voz do Filho e
pedindo nossa transformação, para que, na planície, nos solidarizemos com os
rostos desfigurados dos sofredores. (Pe.
Nilo Luza, ssp.) In O DOMINGO –
SEMANÁRIO LITÚRGICO-CATEQUÉTICO –
24/02/2013.
TEMPO DE DAR FRUTOS
A tragédia dos galileus
assassinados por Herodes e dos dezoito mortos pela queda da torre de Silo[e,
Jesus garante, não foi consequência dos pecados deles. Considerar tragédias e
desastres como castigo de Deus é esquecer o que Jesus veio revelar: o rosto de
um Pai que é amor e misericórdia, e não um carrasco vingador.
Longe de associar a morte ao
pecado e à culpa das criaturas, Jesus convida ao a aprender das tragédias e
desastres, a aprender das mortes prematuras, no sentido da valorizar o presente
e converter-se para dar frutos. Pois a morte virá para todos, e a questão são
os frutos que deixaremos por aqui, a diferença que tivermos feito para melhorar
este mundo.
A parábola da figueira fala de
um Deus paciente, que envia seu Filho para que as pessoas se deixem transformar
e produzir frutos. É que, ao nos criar, Deus espera nada mais que frutos de
bondade, de misericórdia, de solidariedade. Quando faltam tais frutos, falta a
vida verdadeira que ele deseja.
O Filho enviado pelo Pai caminha
conosco e quer nos transformar. Estar abertos à ação de Deus, porém, depende
somente de nós. E aqui a importância do chamado à conversão feito por Jesus.
Converter-se é tomar consciência dos próprios limites e pecados, em primeiro
lugar. E, na prática, mudar de mentalidade e de vida. Mas não basta mudar, e
sim mudar segundo o plano de Deus, que nos cria para relações que humanizem,
que nos irmanem no perdão e no amor.
Conscientes de que as tragédias
e desastres não podem ser castigos do Deus bondoso de Jesus, perguntamo-nos
sobre o sentido que estamos dando à nossa vida hoje. Uma vida sem frutos para
Deus é vida que perde o próprio sentido. No dia do acerto de contas, diante de
um Deus que ama, que frutos lhe apresentaremos? O tempo que temos neste mundo é
o tempo que Deus nos dá. É agora o tempo de conversão. É agora o tempo da dar
frutos. (Pe. Paulo Bazaglia, ssp.) In O DOMINGO – SEMANÁRIO
LITÚRGICO-CATEQUÉTICO – 03/03/2013.
É
PRECISO FESTEJAR
Quando algum membro da família
retorna – depois de algum tempo de ausência -, normalmente acontece uma festa
de acolhida carinhosa. Também é verdade que, com frequência, algum irmão ou
pai, reluta em aceitar o retorno daquele que andou vagando pelo mundo.
A história narrada pelo
evangelho de hoje revela: o pai se alegra e faz festa pelo retorno do filho,
mas o irmão resiste a participar da alegria e da festa. A história se repete
amiúde também em nossos tempos, muito mais do que imaginamos. Filhos se afastam
da família por motivos diversos: desejam assumir a própria vida, são levados
pelas drogas, não suportam as incompreensões ou mesmo agressões dos pais ou
irmãos, às vezes são até expulsos de casa. Nas comunidades também se veem
deserções por falta de compreensão das lideranças ou por falta de testemunho da
própria comunidade ou de alguns membros. Também há os que partem por já não
sentirem gosto na vida da comunidade e na participação das celebrações.
O pai do evangelho de hoje nos
fornece belo exemplo de amor e acolhida. Deus é como esse pai que fica feliz ao
ver o filho retornando para casa e prepara um banquete para festejar.
O filho mais novo se aventurou a
assumir a própria vida e acabou não administrando bem a herança. Depois de
gastar tudo e tomar consciência da situação, inicia o retorno à casa e o
processo de conversão.
O filho mais velho é o “justo”
da história, “cumpridor das normas e possuidor de direitos”. Ele não necessita
de conversão. É calculador, triste “burocrata da virtude”, sem brilho, sem
otimismo e sem alegria.
A parábola nos mostra que não
basta ser fiel cumpridor das leis e não sair de casa; é preciso ter
misericórdia e ser solidário, acolhendo os irmãos e irmãs que não se saíram bem
na tentativa de vida melhor. A família e a comunidade devem ser locais de acolhida,
amor e perdão. Todos têm direito à redenção, a uma segunda chance. (Pe. Nilo Luza, ssp.) In O DOMINGO – SEMANÁRIO LITÚRGICO-CATEQUÉTICO
– 10/03/2013.
AMAR O PECADOR É VENCER O PECADO
É fácil e cômodo atirar pedras,
julgar e condenar os outros. A resposta de Jesus na cena da mulher adúltera,
porém, é séria chamada de atenção para a maldade que pode se esconder no
coração humano. Quando julgamos os outros, queremos como que esconder os
próprios pecados. E então vem à tona a hipocrisia, pois como podem estar limpas
mãos que apedrejam e que escondem um coração incapaz de perdoar?
Quanto aos que se orgulhavam de
ser exemplo de piedade e aos especialistas da religião, Jesus os faz olhar para
si mesmos. Suas palavras funcionam como um espelho, um espelho libertador que
pedras nunca poderão quebrar.
No episódio, quem é que estava
livre do pecado, para ter a autoridade de atirar pedras naquela mulher que,
logicamente, não havia cometido adultério sozinha? E, ainda que fosse o caso de
apedrejar, onde estava seu parceiro no erro?
Neste tempo de Quaresma, convite
à revisão de vida e conversão para a Páscoa do Senhor, Jesus continua a nos
colocar diante do espelho de sua Palavra, para que nos vejamos como somos, sem
máscara ou hipocrisia.
Quando tomamos consciência de
nossos limites e erros, só nos cabe a atitude de quem suplica o perdão, das
pessoas e de Deus. Os acusadores de então foram embora, um a um, ao serem
colocados diante dos próprios pecados.
Jesus, que não vem para
condenar, mas para salvar, de fato nuca condenou ninguém. O Mestre sempre ensinou
a rejeitar o pecado, mas nunca o pecador. Ensinou a nunca confundir quem peca
com o pecado cometido.
Ao pecador Jesus nos ensina a amar, porque todos
pecamos e necessitamos de amor. Um amor sem limites como o seu, de quem se doa
e sabe perdoar. Perdoando e amando, criamos relações novas, de acolhida e
inclusão. E então aprendemos, simples assim, que amar o pecador é vencer o
pecado escondido em nós. (Pe. Paulo Bazaglia, ssp.) In O DOMINGO – SEMANÁRIO
LITÚRGICO-CATEQUÉTICO – 17/03/2013.
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